quinta-feira, maio 11, 2006

Os Predilectos

Sejamos sérios: o coisas Breves há muito que deu o que tinha a dar. Não há nada a fazer. Muito menos continuar a insistir passar por aqui. Morreu de velho. Mudo, surdo e incontinente. Apenas resta um obrigado a todos num balbuciar de palavras que só confirma a desgraça a que isto chegou. Fiquemos por aqui (e aqui), e, se tiverem paciência, talvez me encontrem por lá. Até já.

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Os Predilectos, o novo blogue obrigatório.

A Gente vai continuar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar

E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai pararEnquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem

Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar

Jorge Palma

domingo, abril 23, 2006

Coisas breves ou coisas velhas?

Se você é fã de carteirinha do blog Coisas Breves mas já está cansado de não ver atualizações e quase desistindo de acessar o mesmo, deixe aqui o seu desabafo ou a sua bronca. Só não deixe de se manifestar.

domingo, março 12, 2006

De olho em você

domingo, fevereiro 26, 2006

Sou Brasileira

Sou brasileira com muito orgulho. Como diz a letra de uma música:
"Moro num país tropical,
Abençoado por Deus
E bonito por natureza
Mas que beleza
Em fevereiro tem carnaval..."
O problema é esse, sou brasileira e não gosto do carnaval, será que sou anormal? É como um espanhol não gostar de touradas, um português não gostar de fado, um inglês não gostar de chá, enfim... é daquelas coisas que as pessoas supõem que por ser de determinado lugar você goste de determinada coisa. Ainda bem que existe a TV à cabo, mas qual não é a minha surpresa ao assistir o telejornal da SIC internacional algumas mulatas agitando seus pandeiros em pleno inverno português. Achava mais interessante o Entrudo com suas laranjas e tomates podres. É o efeito "globalização".

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Pausa pedagógica

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Agostinho da Silva / 100 Anos

Parece que toda a gente está de acordo em que o mundo inteiro se encontra em crise. Como isto me parece demasiado vasto para eu poder ser util, decidi que sou eu quem está em crise e talvez consiga sair dela com três princípios: O de me ver livre do supérfluo, o de não confundir o verbo amar com o verbo ter, o de prestar voto de obediência ao que for servir, não mandar.

domingo, fevereiro 12, 2006

World Press Photo of the Year 2005

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Preciso de dormir para parar de sonhar (2ª edição)

Nestes últimos tempos raramente tenho sonhado. Só mesmo de olhos abertos, o que, convenhamos, não tem a mesma graça. Mas nem sempre foi assim. Quando era mais novo sonhava imenso. Muito mesmo. Talvez porque tinha mais tempo, mais disponibilidade e menos preocupações, não sei. O que sei, é que era muito bom. Especialmente naquela altura do sono, entre as 8 horas e o meio-dia, em que já se está meio consciente e que se consegue controlar o sonho a nosso belo prazer. E sonhar assim é do melhor que há. Muito mais real e interessante do que qualquer bom filme. Nem que seja porque o actor principal, realizador e argumentista somos nós próprios. Ainda por cima, desta forma, tem-se a possibilidade de sonhar com as coisas mais fantásticas e impossíveis que se possam imaginar. E sempre com a garantia de um final feliz - e para o nosso lado, claro. Pelo menos se conseguirmos levar o sonho até ao fim, o que, muitas vezes, por causa da hora de almoço ou do raio da campaínha que não pára de tocar por causa dos tipos da publicidade, se torna impossível. E acordar a meio de um sonho destes é do mais bárbaro que existe. Até porque, por muito que se tente, não se consegue voltar a ele. É de ficar amuado para o resto do dia de tão bom que era.

Tenho para mim que só não gosta de dormir aquele que não é capaz de sonhar. Hoje em dia, por muitas tentativas que faça, já não consigo sonhar desta forma. O que é uma enorme frustração - ainda para mais com a qualidade dos filmes que por aí andam. Assim, os meus níveis de ficção, imaginação e auto-estima andam muito por baixo. E, para piorar as coisas, como não consigo sonhar, perdi a motivação para dormir, o que faz com que ande com umas olheiras de todo o tamanho, mal humorado e a bocejar todo o dia. O que, diga-se, é muito chato. Especialmente quando alguém está a falar para nós de coisas importantes. Por isso, apesar de não saber a quem me devo dirigir, quero reivindicar aqui os meus sonhos de volta, assim como as minhas dez horas de sono por dia.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Oh tempo, volta para trás...

O que se segue, são trechos* retirados de um regulamento interno de uma escola primária de Guardão, elaborado pelo professor que a regia em 1820. Vale bem a pena ler, não só porque tem imensa piada, mas também para ter algum termo de comparação com a actualidade.

“Artigo 1º. As horas de abrir a escola são no verão de manhã às 7 e de tarde às 3; (...) todo o estudante que exceda este tempo sem legítima escusa, tem de pena 2 palmatoadas.”

“2º. Os que vierem antes daquele tempo nunca aproximarão à escola sem que o professor dê sinal; e se fora estiverem fazendo gritarias, algazarras ou outras acções indignas, que mostrem o pouco respeito que têm ao mestre, o qual devem supor que os está ouvindo e vigiando, e que também não receiam o castigo, o terão de 3 palmatoadas.”

“3º. Quando entrarem na escola, ou saírem dela, o farão 2 a 2, e nunca em montão nem encontrando-se uns aos outros;(...) irão com o mesmo sossego tomar os seus lugares, assentando-se em boa figura, corpo direito e pés bem postos, e começarão a estudar sem que lhes importe mais nada; o que faltar a isto tem a pena de 2 palmatoadas.”

“21º. Espirrando o mestre, todos se erguerão dizendo – Viva – e se assentarão ao responder ele – Obrigado – (...) O que assim não fizer tem a pena de 2 palmatoadas.”

“23º. Não lhes é permitido bocejar, espreguiçar-se, nem estarem arranhando indecentemente com todas as unhas, na cabeça ou outras partes do corpo; Por serem acções estas que se podem tornar viciosas, além de serem nojentas e pecaminosas no meio de uma sociedade bem educada; a quem igualmente escandaliza e ofende muito o meter a mão na braguilha ou outras partes desonestas.(...) Não o fazendo, tem por cada vez a pena de 2 palmatoadas.”

“24º. Quando se lhes abrir a boca involuntariamente, acudirão logo a cobri-la com a palma da mão, para assim encobrirem o que esta acção tem de nojenta e feia. O que assim não fizer tem a pena de 2 palmatoadas.”

“25º. Escarrarão brandamente entre os pés, e com estes, sem fazer grande estrondo, esfregarão os escarros de modo que nada se veja deles; o que assim não praticar tem a pena de 2 palmatoadas.”

“26º. Todos trarão os seus lenços para se assoarem; o que devem fazer sem grande estrépito, nem olharem para o que tiraram do nariz; o que assim não cumprir tem a pena de 2 palmatoadas.”

“30º. Nenhum dos meus discípulos admitirá na sua companhia qualquer rapaz que não seja estudante. Pois que se for visto em algum comércio, brinco ou conversação com os ociosos e malcriados para destruírem a boa moral e educação em que desejo tê-los, terão, sobre a de estarem 2 dias de pé na escola, a pena de 4 grande palmatoadas”.

*Agradecido ao professor Orlando pela cedência do documento

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Frases feitas

Não há homens feios. Há é homens pobres.

Constatação

Não percebo as más línguas para com a capacidade do José Castelo Branco em representar. Ontem, aos pedaços, vi ele a imitar um homem e até acho que não se saíu nada mal.

domingo, fevereiro 05, 2006

Ponto de ordem

Aos poucachinhos estou tentando voltar ao Coisas Breves. Neste meu regresso, em fraco, até um conto escrevi. Curto, é certo, mas, julgo, não menos significativo. Porém a ausência de comentários fez-me ver que afinal o conto além de curto era mau. Aliás, voltando a isso dos comentários, começo a reparar que os meus caros leitores, especialmente os amigos, só gostam de comentar quando escrevo algo mais pessoal e passível de me trazer chatices. Mas adiante.

sábado, fevereiro 04, 2006

Pague um leve Três

Ao que parece, o Benfica continua em época de saldos.

Sofia Maria aos 6 meses.


Espero pela papa e me dão isto...

Provo para ver se é bom...


Nããão, flores, definitivamente, não abrem o meu apetite.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Conto mais curto, versão

Era uma vez um homem que um dia prometeu ir para a neve com a família. Até que um dia nevou e cumpriu.

Abominável Homem das Neves

Era uma vez um homem que um dia prometeu ir para a neve com a família. A sua mulher, entusiasmada com a ideia, rapidamente tratou de contar a novidade às suas amigas. E, durante um ano, andou todos os dias a fazer as malas de viagem, a vestir os filhos a rigor e a justificar-se perante as amigas na esperança que a promessa se cumprisse. Até que um dia nevou.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Para mais tarde recordar...




















*Farinha Branca, in Observa bem

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Conselho

Não sejam redundantes. Evitem repetir a mesma coisa, e a mesma coisa, várias vezes seguidas uma depois da outra e usar mais palavras do que as essencialmente necessárias para expressar as vossas idéias de uma forma simples,sintética e breve, sem grandes rodeios.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Gostos não se discutem

Gosto de dormir. Gosto de acordar sem sono. Gosto de sonhar quando já estou meio acordado. Gosto que me digam bom dia. Gosto de sentir a brisa da manhã. Gosto de ver pessoas a passar. Gosto de ver crianças a brincar. Gosto de brincar. Gosto de ser criança. Gosto de rir sem motivo. Gosto de pessoas bem humoradas. Gosto de pessoas sinceras. Gosto de pessoas com personalidade. Gosto de pessoas corajosas. Gosto de pessoas perseverantes. Gosto de conhecer pessoas interessantes. Gosto de pessoas humildes. Gosto de uma boa conversa. Gosto de pessoas diferentes. Gosto de ser diferente. Gosto do Jorge Palma. Gosto do Al Pacino. Gosto do Sócrates. Gosto das entrevistas do Lobo Antunes. Gosto de ler C.S.Lewis. Gosto de reler o principezinho. Gosto de filmes de mafiosos. Gosto de música cantada em português. Gosto de ouvir o mar de noite. Gosto de me sentir confortável. Gosto de resolver problemas. Gosto de me sentir de dever cumprido. Gosto de ter ideias que ninguém teve. Gosto de ter razão. Gosto que me dêem razão. Gosto de ver a minha mãe rir. Gosto que me cativem. Gosto de mulheres que lutem por mim. Gosto de mulheres decididas. Gosto de mulheres misteriosas. Gosto de olhar nos olhos de uma mulher. Gosto de cabelos compridos. Gosto dos meus pés. Gosto de passear. Gosto de viajar. Gosto do alentejo. Gosto do Brasil. Gosto de São Nicolau. Gosto de comer marisco no verão. Gosto de cozinhar. Gosto de por limão em todo o tipo de comida. Gosto de beber café acompanhado de um copo de água. Gosto de ler o jornal na cama. Gosto de blogues. Gosto de estar em casa quando está frio. Gosto de gatos. Gosto de correr com os meus cães. Gosto de não ter nada para fazer. Gosto de me sentir livre. Gosto de muitas coisas que não me consigo lembrar. Gosto de ti.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Triste sina

A propósito de um acidente, que ocorreu esta semana com um camião que transportava porcos, dos quais 30 e tal morrerram, ouvi uma reportagem onde o jornalista ao entrevistar o motorista do respectivo camião, questiona:

- Então como estão os porcos que não morreram?

Responde, prontamente, o motorista:

- Ah, estão muito bem. Vão agora mesmo para o matadouro.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Preparada


Sofia pronta para a papinha de banana ("cabelos presos", babador e fraldinha sobre a roupa).

Vejo o meu mundo cor de rosa

Com que lentes você vê o mundo?

segunda-feira, dezembro 05, 2005

O essencial é invisível aos olhos

Se há coisa que nunca parece bem é ter mau aspecto. Contudo, ter mau aspecto não é assim tão mau. Além de ser bastante útil para não se ser assaltado, se pensarmos bem até pode ser um elogio. Afinal, quando alguém diz de outro, que está com mau aspecto é porque no fundo sabe que ele poderia estar muito melhor. Ou seja, há uma esperança de ser algo temporário e de se poder ficar com bom aspecto caso se queira. Ora aí está a grande diferença para quando se é simplesmente feio. Esses não têm esperança. Por muito bom aspecto que tenham serão sempre feios. Não têm cura. Claro que há a ilusão de que com umas roupinhas adequadas a coisa melhore. Ou então, que com uns cremes e umas plásticas a coisa disfarce. Porém, a realidade é cada vez mais exigente e os milagres cada vez mais raros. E, por muito que custe dizer, quem nasceu para feio dificilmente o disfarçará e, mais cedo ou mais tarde, será sempre reconhecida a sua real natureza, tal qual acontece nas primeiras lavagens das camisas Ralph Lauren da feira de Carcavelos. Antigamente, segundo dizem, os homens não se queriam bonitos e as mulheres que eram bonitas tinham fama de serem estúpidas. Hoje, num mundo cada vez mais injusto, tudo mudou. Já nem aquela pertinente questão de escolher entre uma gaja bonita e burra ou uma gaja feia e inteligente faz sentido. A distribuição de beleza, ou falta dela, democratizou-se entre burros e inteligentes. Se antes as coisas estavam mal para os pobres, hoje as coisas estão muito mal para os feios. Nunca como agora foi tão triste ser feio. Por isso que deveria haver uma regra que ditasse que os feios fossem melhores pessoas que os bonitos. Ou que as pessoas bonitas fossem invariavelmente pobres, sujas, desdentadas, sei lá. O que me parece injusto é haver tanta gente bonita, rica, inteligente, cheia de saúde e de bom aspecto. Tudo ao mesmo tempo. E o pior é que com esta história da globalização a ideia romântica de haver gostos para tudo está cada vez mais ultrapassada. Agora todos querem ser bonitos como os outros e já nem os feios gostam dos feios - e quando acham que gostam é porque se conformaram e perderam a esperança. Enfim, a vida não está nada fácil. Valha-me ao menos o mau aspecto.

domingo, dezembro 04, 2005

DEZEMBRO

“Vem chegando o verão, um calor no coração..” Pois é, aqui no hemisfério sul o verão já está às portas. E com ele o Natal e as festas de fim de ano, férias escolares, 13º salário, lojas enfeitadas, casas decoradas com motivos natalinos, aquele tumulto no centro da cidade, no estacionamento, no shoping, no mercado, nas lojas de brinquedo, nos correios, enfim uma “paz” típica do mês de dezembro. Aliás, deve ser por causa disso que a maioria dos cartões de fim de ano vêm desejando paz. Acho engraçado ver o “papai Noel (pai Natal)” geralmente bem gordinho suando em bicas com aquela calorenta roupa vermelha tirando fotos com as criancinhas ao lado das renas e cercado de “neve”, muita neve mesmo. Um papai Noel bronzeado pelo sol tropical. Pode parecer ridículo, mas eu já fui como uma dessas criancinhas que acreditam nisso, e que inclusive escrevia cartinhas e essas coisas. Sabem que aqui no Brasil tentamos fazer a festa natalina tipo européia com direito a nozes caríssimas, bacalhau, damasco seco, avelãs e etc. Inclusive esse ano vai ter muita etc em promoção porque o dólar está um pouco mais baixo do que no ano passado. Dezembro também é um mês de muitos casamentos (devido ao 13º e às férias de verão). Vai ter até gente casando na véspera do Natal e do Ano Novo também, já que caem no sábado. Em dezembro também tem o aniversário do meu marido, cunhado, cunhada e enteado.Eita mesinho cheio de festa esse mês de dezembro não é mesmo?

terça-feira, novembro 29, 2005

Na falta de tempo para escrever alguma coisa de jeito, fica isto!

Uma loira entra numa loja de cortinas e diz para o empregado:
- Por favor, eu queria umas cortinas para o monitor do meu computador!
O empregado, espantado, diz:
- Mas, minha senhora, os monitores não necessitam de cortinas.
Diz a loira, com ar de espertalhona:
- Helloooooooooooooooo?!?!?!?!......... Eu tenho o Windows!!!!!!!

*

sábado, novembro 19, 2005

Uma certa fobia às palavras (2ª Edição)

Maria parou no meio da rua, assim, de repente. Sentiu um arrepio que a fez gelar e os seus olhos ficaram colados ao chão. Desejou que uns dedos, feitos de ar, feitos de raios de sol, agarrassem a sua cara, lhe fechassem os olhos e a deixassem adormecer num abraço. Maria tem destas coisas... Todos os seus pensamentos são segredos que se vão acumulando em pequenas caixas de cartão azul. Caixas que se vão acumulando em pilhas, que se vão afogando em pó. O que Maria não sabe é que parou ali, no meio da rua, para não tropeçar, não cair. Maria não anda muito, porque tem medo de cair. Maria só diz o essencial, para não fazer figura de parva. Maria tem medo que os olhos de estranhos percorram a sua pele, a sua roupa, se riam do seu cabelo. Esconde as mãos nos bolsos e não levanta os olhos. E distraiu-se, está ali parada, sem perceber, há demasiado tempo. De certeza que alguém já notou. Segue o seu caminho. Apetece-lhe dar passos muito lentos mas tem pressa de chegar a casa.

Maria, vou abraçar-te pelas costas e sentir no meu braço o teu coração bater. Vou puxar-te pela mão e obrigar-te a vir comigo. Empurrar-te para a relva, para veres que não dói cair. E dizer-te com um sorriso nos lábios que não faz mal, que a roupa se lava. E se não disseres nada, com medo do que eu possa pensar, vou beijar-te. Vou dizer eu todas as palavras que o teu cheiro desperta em mim. Até que um dia, quando os outros olharem, tu tenhas orgulho de estar ao meu lado.

Liliana Moita

segunda-feira, novembro 14, 2005

Esquemas de vida

domingo, novembro 13, 2005

Dilema da semana

Apesar de objectivamente não concordar com os motivos invocados pelos sindicatos para a greve dos professores da próxima sexta-feira, acho que desta vez é inevitável e irrecusável não me mostrar solidário com os meus colegas. Afinal, não são todos os dias que se tem um fim de semana grande.

sábado, novembro 12, 2005

Para além da sinceridade

Se há defeito que não suporto é a sinceridade. Melhor, se há coisa que me chateia ouvir é, alguém dizer de si próprio, que o seu maior defeito é ser sincero. Mesmo aqueles que se dizem muito humildes, não conseguem ser pior que esta espécie de gente que insiste em fazer crer que são o que não são, apenas por vaidade. Aliás, se há coisa que estas pessoas demonstram é falta de humildade e de vergonha. Bastava um pouquinho de cada uma para perceberem que ninguém acredita no que dizem. Nem elas próprias. Pelo contrário, quem profere uma frase destas sabe muito bem que não está a ser sincero. Pensa apenas que desta forma se valoriza perante o seu interlocutor e que o faz acreditar em uma de duas coisas: que não tem defeitos e que é uma óptima pessoa ou que é uma pessoa geneticamente desbocada que diz tudo o que lhe vem à cabeça.

Por outro lado há pessoas que acham que a sua maior qualidade é serem sempre sinceros. E, por muito que me custe dizer, acham mal. Quem tem um mínimo de experiência de vida sabe muito bem que nem sempre ser sincero é o melhor. Obviamente que não quero dizer que mentir é preferível. Há que saber o que se diz e o que se pode e é conveniente dizer. É uma questão de motivo. Afinal, o que deve medir a nossa sinceridade não são as palavras em si, mas sim a intenção com que as dizemos. Até porque, como diz o poeta, quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Sugestões

A maior chatice das coisas boas é que, quase sempre, acabam rápido. Alguns dos blogues que gostava já acabaram. Outros, abandonados ao silêncio e à solidão, transformaram-se em blogues vegetais, que apenas não desapareceram porque continuam ligados à máquina. Porém, muitos outros vão aparecendo ou simplesmente se tornando visíveis. É um mundo imenso, inesgotável, e no qual vale a pena gastar algum do nosso tempo. Por isso, sempre que se chatearem de vir aqui e não encontrarem nada de novo - nem tiverem paciência para ler os meus arquivos - dêem uma vista de olhos na coluna dos meus blogues favoritos, da qual hoje destaco o Origem das Espécies, a minha nova visita diária.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Declinações de Esquerda

Começo a compreender que não se pode viver sem uma consciência política da vida: a minha estadia aqui tem-me aberto os olhos para muita coisa que não se pode dizer por carta. Isto é terrível – e trágico. Todos os dias me comovo e indigno com o que vejo e com o que sei e estou sinceramente disposto a sacrificar a minha comodidade – e algo mais, se for necessário – pelo que considero importante e justo. António Lobo Antunes

quarta-feira, novembro 09, 2005

A Pandemia do Egoísmo

Cada vez me convenço mais de que a descoberta da vacina contra a Malária só acorrerá quando, por algum meio ou forma, o vírus chegar à Europa ou América. Até porque morrer dessa forma é inadmissível. Pelo menos quando perto de nós, claro.

terça-feira, novembro 08, 2005

Jogo dos Pobres

Apesar de não ser a mesma coisa do que na realidade, aqui fica uma óptima sugestão para se descontrair e divertir um pouco.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Saudades da mnha terra de São Nicolau (V)

domingo, novembro 06, 2005

Antigamente é que era bom!

Um dos nossos grandes problemas é sermos muito dramáticos e pessimistas. Independentemente da situação, sentimo-nos sempre em crise. Vivemos em crise. Talvez por isso que recordamos sempre os tempos passados, que na altura também já eram de crise, como os melhores. No entanto vivemos num mundo que, de dia para dia, pula e avança de uma forma extraordinária. E, a verdade é que nunca como hoje as pessoas tiveram tão boas condições de vida. Por outro lado, também, nunca como hoje as pessoas andaram tão deprimidas, o que não deixa de ser um pouco estranho e contraditório. O pior é que nem nos apercebemos desta contradição em que vivemos. Por isso dizemos que estamos em crise. Ou seja, deitamos as culpas em algo abstracto, desculpando-nos da nossa incapacidade para conseguir traduzir em bem estar, e em felicidade, as evoluções que vamos alcançando. O mais interessante é que é essa insatisfação que nos alimenta e nos mantém vivos num ciclo vicioso. Sentimo-nos frustados e por isso ambicionamos mais. E assim, como se de uma função inversamente proporcional se tratasse, lá o mundo vai avançando num ritmo cada vez mais frenético. E por cada pulo que dá, nós afundamo-nos mais um pouco. E de pulo em pulo temos o nosso destino traçado. Enterrado.

sábado, novembro 05, 2005

Passos em volta

Já começa a ser hábito que, ao fim de semana, venha para aqui desculpar-me por não ter escrito mais e não sei quê. A verdade é que, por muito que queira mudar, ainda não consegui dar a volta a isto. Perdi o ritmo. A falta de tempo e a preguiça, mais as outras coisas todas que me vão preenchendo, consomem-me. Porém, insisto em continuar a passar por aqui. Nem que seja para me penitenciar.

Este espaço sempre foi um pouco mais do que um passatempo. Por isso me custa tanto não escrever mais. Não é que eu tenha algum desejo compulsivo de escrever. Pelo contrário, não sei se já repararam, mas isto até é um enorme esforço. Um fardo. Porém, é um fardo que carrego com gosto. Digamos que o Coisas Breves é o meu amigo imaginário com quem tenho algumas conversas de ocasião. Conversas de café. E, como em todas as conversas de café, não posso deixar de prescindir de uma réplica ou de um comentário. Caso contrário, arrisco-me a ficar a falar sozinho.

quinta-feira, novembro 03, 2005

The Best

Gastei muito dinheiro em bebida, mulheres e carros rápidos. O resto desperdicei. George Best

terça-feira, novembro 01, 2005

Quero o meu dinheiro de volta!

Quero o meu dinheiro de volta
Tanta gente a dar-me a volta
Não foi para isto que eu vim cá
Quero o meu dinheiro de volta
Não é tarde, nem é cedo
Quero o meu dinheiro já

Jorge Palma

sábado, outubro 29, 2005

Um cochilo depois do almoço

segunda-feira, outubro 24, 2005

A Gripe das Aves

A propósito da gripe das aves, não se consegue perceber esta pandemia de histeria que assola a comunicação social. O alarmismo é tal que acaba por ter mais efeitos negativos do que propriamente a gripe das aves poderá alguma vez vir a ter. De facto, não deixa de ser estranho que ande todo o mundo excessivamente preocupado com um vírus que até já existe há alguns anos na Ásia, onde vivem mais de 2 mil milhões de pessoas, e que, até hoje, apenas resultou, em zonas com condições óptimas à propogação do vírus, em residuais casos de contágio. Ainda assim, assistimos, em tempos de aperto financeiro, a um desvario de gastos em vacinas, que não sabemos serem eficazes, para vírus que sabemos ainda não se transmitirem entre humanos e que muito provavelmente nem chegarão perto de nós. E o mais triste é que, enquanto isso, como ouvia hoje na rádio, vão morrendo centenas de pessoas por cada minuto que passa, por doenças como a malária, a tuberculose, paludismo e outras , que não merecem um minuto sequer da nossa atenção e do nosso histerismo. Mas isso já não nos incomoda tanto comos os patos, gaivotas e papagaios, afinal, esses que infelizmente morrem todos os dias, não passam de aves raras com convenientes dificuldades de migração, e por isso, sem hipóteses de nos contagiarem.

Chega de fotos...

Sofia Maria um tanto quanto tímida nesta foto.

Revista Maria, Consultório Sentimental

Querida Maria,
Há dois dias apareceram-me uns pés de galinha ao canto dos olhos. Será sintoma de gripe das aves?

in Contra-Indicado

domingo, outubro 23, 2005

As iludências aparudem

Os jovens de hoje não são tão feios como eram. Por exemplo as mulheres, especialmente as mulheres, parecem-me ter muito melhor aspecto hoje do que quando comparadas com aquelas das reportagens da RTP memória de há 15 anos atrás. Mas não é só uma questão de aspecto e de bom gosto. É mais do que isso. Basta ir a um qualquer centro comercial, excepto o Fórum Montijo onde as pessoas continuam feias todos os dias, para confirmar que a beleza física se democratizou e generalizou. Os Portugueses estão a ficar mais altos, mais direitos, mais sensuais, mais cuidados, enfim, mais bonitos. Claro que ainda continuamos a vestir muito mal e a ter o cabelo oleoso, mas, como as diferenças para os atarracados dos nossos antepassados são tão grandes, é impossível negar que, pelo menos fisicamente, fomos, estamos a ser, geneticamente apurados. Tal como Charles Darwin o fez, poder-se-ia reduzir tudo isto a uma questão de selecção natural. Talvez assim até se explicasse outro facto indesmentível que é de que, no caso dos homens, além de estarem mais bonitos, estarem, ao mesmo tempo, cada vez mais burros - afinal as mulheres sempre escolheram aqueles homens com um palminho de cara e um dedo de cérebro. Mas, por muito que nos custe, acho que no fundo tudo isto se deve apenas aos efeitos da globalização, sempre a globalização, e, claro, aos hambúrgueres, ao Clearasil e aos conselhos de beleza da Revista Maria.

sábado, outubro 22, 2005

Onde está o Wally?

sexta-feira, outubro 21, 2005

Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada

Nunca trabalhei tanto. Mais, nunca tive tão pouco tempo para fazer o que gosto. E o pior, é que também nunca andei tão liso como agora. Por isso, não se admirem de que, de quando em vez, recorde e fale de Cabo Verde e de São Nicolau. Nem imaginam a diferença.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Frase do dia

O que eu espero senhores, é que depois de um razoável período de discussão, todo o mundo concorde comigo. Wiston Churchill

quarta-feira, outubro 19, 2005

Uma ideia

E de repente, começo a achar que a solução, deste problema a que chamamos Portugal, pode muito bem passar pela produção de energia eléctrica a partir de centrais nucleares nacionais. E porque não? Pelo menos sempre nos traria, além dos óbvios benefícios económicos e ambientais, algum alento, independência e auto-suficiência.

terça-feira, outubro 18, 2005

Como contar a história da Cinderela às crianças de hoje*

" Há bué da time, havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela. A Cinderela (Cindy p'ós amigos), parecia que vivia na prisa, sem tempo para sequer enviar uns mails. Com este desatino todo, só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia-lhe bué da cenas. É então que a Cindy fica a saber da alta desbunda que ia acontecer: Uma rave!!! A gaja curtiu tótil a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou completamente passadunte, mas depois de andar à toa durante um coche, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana, ela ficou a parecer uma g'anda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater das 12. Tás a ver, meu? A tipa mordeu o esquema e foi para a borga sempre a bombar. Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom comó milho e que também a galou logo ali. Aí a Cindy, passou-se dos carretos, desbundaram "ól naite long", até que ao ouvir as 12, ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no chanato. Como era um ganda cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que ficaram a anhar. Tá-se bem."

*Recebido por e-mail

segunda-feira, outubro 17, 2005

Extra! Extra!

A gripe das aves já chegou ao Porto. Foi uma águia que a levou, há 50 mil infectados e um pinto em coma!

in Contra-Indicado

domingo, outubro 16, 2005

Licença maternidade

Olá leitores do Coisas Breves. Ainda estou de licença maternidade mas passei por aqui entre uma troca de fraldas e uma mamada para dizer que estou com saudades de postar nesse blog. Em breve colocarei uma foto da Sofia.

“Daqui a cem anos, não importará o tipo de carro que dirigi, o tipo de casa em que morei, quanto tinha depositado no banco, nem que roupas vesti. Mas o mundo pode ser um pouco melhor porque eu fui importante na vida de uma criança.”
Anônimo

sábado, outubro 15, 2005

Metamorfoses

sexta-feira, outubro 14, 2005

Sinto falta de ter tempo para inventar coisas para passar o tempo

Um dos meus passatempos preferidos, enquanto estive em São Nicolau, era sentar-me na única esplanada da terra e pôr-me a olhar para as pessoas que passavam na rua e adivinhar de quem eram irmãos. Pode parecer estranho mas garanto que, além de ser um jogo socialmente relevante, é super divertido. Especialmente porque, apesar de conhecer todas as pessoas da vila onde morava, não conhecia as relações familiares que tinham entre elas. Pois, como sabem, quase todos os cabo-verdianos têm mais do que 10 irmãos e, sublinhe-se, quase nunca dos mesmos dois pais. Ou seja, as combinações possíveis eram imensas, o que para o caso só aumentava a dificuldade e interesse do jogo.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Matemática

Matemáticos são pessoas capazes de dizer que, quando há supostamente 3 pessoas em uma sala e dela sairem 5, duas devem entrar para a sala estar vazia.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Premonições

Hoje sonhei que tinha ganho o segundo prémio do euromilhões. E, apesar de só me calharem uns míseros 15 mil euros, a sensação* foi muito boa. Especialmente porque comprei uns sofás lindos, que tanta falta me fazem. Mas escrevo este post apenas porque quero premiar todos os que por aqui passam. Assim, apoiado no meu sonho, garanto-vos que dois dos números que vão sair na próxima semana são o número três e o cinco. Boa sorte e, por favor, não digam nada a ninguém.

*De facto, a sensação de pensar no que se há-de fazer com o dinheiro é muito mais agradável do que a sensação de pensar no que se há-de fazer sem dinheiro...

Ressaca eleitoral

Todos - enfermeiros, policias, militares, juizes, magistrados, professores, funcionários públicos em geral e sei lá mais quem - protestam contra o governo. E, em muitos casos, legitimamente, pois os seus direitos, adquiridos segundo alguns, foram postos em causa. Porém acontece que, por exemplo, apesar dos professores acharem muito injustas as medidas que o governo tomou a seu respeito a verdade é que já não acham tão mal as medidas tomadas a respeito dos enfermeiros, juizes, magistrados, e.t.c. Ou seja, por muito que não se queira, todos entendem e compreendem a necessidade e a justiça destas medidas. Pelo menos para os outros, claro.

Dizem, alguns, que nunca se viu um governo, com apenas 6 meses de governação, sofrer tanta contestação - e ter, através do partido socialista, um resultado tão fraco numas eleições, como as desta semana. De facto, admito, é verdade. Nunca se viu. Mas, admitem, nunca um governo fez tanto em tão pouco tempo e, ainda por cima, sem ligar a calendários eleitorais. Isso, também, nunca se viu.

Mas o que mais me espanta são os comentadores e os partidos de direita. Há uns meses atrás defendiam reformas e mais reformas. Mais, achavam que eram os únicos capazes de o fazer. E agora, protestam, queixam-se e acham demais. Mas a verdade é que só o fazem por oportunismo e vergonha. Pois, no fundo, o que lhes dói não são as medidas em si, mas sim o facto de não terem sido eles , os de direita, a terem a coragem e a determinação de as fazerem.

terça-feira, outubro 11, 2005

Saudades da mnha terra de São Nicolau (III)

segunda-feira, outubro 10, 2005

Parece que foi ontem!

Sem dar conta disso, o Coisas Breves faz hoje um ano de aniversário. Tem valido bem a pena. Porquê? Sei lá.

Autárquicas

Gosto das noites eleitorais. E esta, apesar de as coisas não terem corrido para o melhor, não fugiram à regra. Mais do que as sondagens, dos discursos dos vencidos e dos vencedores, aprecio a guerra entre as televisões e os comentários dos comentadores residentes. E desta vez, não pude deixar de constatar, que a TVI e a RTP estiveram bem e que a SIC foi uma pobreza. Quanto aos comentadores foi interessante confirmar, em comparação com António Vitorino, a mediocridade dos comentários do Professor Marcelo de Sousa e a sempre animada conversa na TVI entre o Miguel Sousa Tavares e a patética Constança.

Quanto ao mais, só desejo que os candidatos eleitos façam o seu melhor e que o governo não se desvie em nada na sua determinação e coragem. E, já agora, que as televisões deixem de dar importância às Fátimas Felgueiras e Valentins Loureiros que os portugueses insistem em cultuar.

domingo, outubro 09, 2005

Por acaso

O acaso é o reconhecimento da nossa incapacidade para controlar o conjunto de variáveis que determinam um acontecimento. O acaso define o que não conseguimos prever. Contudo, se conseguirmos repetir exactamente, em todas as suas variáveis, uma determinada situação ou experiência o acaso torna-se previsível. Por isso que, em teoria, o acaso não existe. Ou melhor, por isso que, na prática, o acaso ainda existe.

Da mesma forma, o que é uma emoção senão mais do que uma sequência de reacções químicas do nosso cérebro? Não há emoções irrepetíveis. Basta que controlemos todas as variáveis e a reproduzamos.

Tudo pode ser sintetizado. Afinal, somos pó. Simplesmente pó.

sábado, outubro 08, 2005

Macaquices

Durante estes dias tenho passado muito tempo a conduzir. E, de vez em vez, dou comigo a pensar e a pensar. Além de ainda não ter percebido porque é que, em tempo de crise e de queixume generalizado, todos têm um carro melhor que o meu, assaltam-me, quilómetro a quilómetro, outras dúvidas muito mais interessantes. Por exemplo, com esta história de os carros terem ar condicionado, pergunto-me repetidamente para onde é que vão os macacos do nariz do condutor que antigamente eram orgulhosamente deixados em queda livre pela janela do carro? A questão é pertinente, especialmente para quem faz muitos quilómetros diários, visto que a solução de os colar por baixo do assento tem enormes incómodos. Ou não é verdade que na tentativa de descolá-los do dedo, contra o assento em veludo, se fica, invariavelmente, com mais dois ou três colados?

Politiquices

Para muita pena minha não tenho tido oportunidade de aqui comentar alguns factos políticos que vão acontecendo pelo nosso Portugal. Especialmente aqueles que dizem respeito à campanha eleitoral para as eleições do dia de amanhã. Houve de facto muitas situações hilariantes* que mereciam pelo menos uma leve referência. Mas, como os políticos não mudam, fica para uma próxima oportunidade.

Apesar de me apetecer imenso falar de política, ainda não vai ser desta. Até porque tenho de pensar um pouco mais nas frases e tal. De qualquer forma, aqui fica um excerto de um artigo de opinião, do Emídio Rangel, que li hoje e gostei.

Sejam quais forem os resultados das eleições autárquicas, Sócrates manter-se-á no seu posto com a mesma determinação com que iniciou funções de primeiro-ministro e com o único objectivo de, contra ventos e marés, reequilibrar as contas do País, promover o desenvolvimento económico e consolidar a Democracia. (...)

Estive a ‘puxar’ pela memória para me lembrar de um primeiro-ministro após o 25 de Abril que tenha mostrado a mesma coragem de falar verdade, ainda que o seu partido viesse a ser penalizado por isso. (...) Sócrates terá sido o primeiro-ministro que não escondeu a realidade, não mascarou a verdade das coisas, nem cedeu a facilitismos por causa de eleições. Os portugueses deviam estar particularmente gratos a um cidadão que assume com esta frontalidade e sentido do interesse nacional as tarefas da governação. O País precisa destas reformas que estão a ser desenvolvidas pelo Governo.(...)

Sócrates fez mais em seis meses pelo País do que os últimos governos do PS e do PSD juntos. E tem-no feito com um enorme bom senso e equilíbrio, procurando ser justo, protegendo os mais desfavorecidos. Sem nunca pôr em causa os parâmetros do Estado Social, mas também sem nunca quebrar quando foi desafiado por grupos poderosos da sociedade que se consideram intocáveis. (...)

Sócrates merece assim o aplauso do País e, se não for feita justiça agora, a História encarregar-se-á disso, porque é muito claro, hoje, que Cavaco Silva e José Sócrates foram os melhores portugueses no desempenho daquele lugar, após o 25 de Abril. (...)

*A propósito, espero que tenham ouvido a paródia que a antena 3 fez do debate entre o Carrilho e o Carmona. De ficar em lágrimas, ao ponto de ter tido quase um acidente por falta de visibilidade.

Fase pós-traumática

Estou em fase de (re)adaptação e, por isso, ainda não consegui arranjar um tempo para retomar a escrita regular aqui no Coisas Breves. Até tenho tido algumas ideias ,e não sei quê, mas o regresso a esta vidinha de cão, de lata, claro, inibe qualquer vontade.

Saudades da mnha terra de São Nicolau (II)

segunda-feira, setembro 26, 2005

Vai Por mim...

Não estou com grande disposição
p'ra outra enorme discussão
tu dizes que agora é de vez
fico a pensar nos porquês
nós ambos temos opiniões
fraquezas nos corações
as lágrimas cheias de sal
não lavam o nosso mal

dizes vermelho, respondo azul
se vou para norte, vais para sul
mas tenho de te convencer
que, às vezes, também posso...

ter razão!
também mereço ter razão
vai por mim
sou capaz de te mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão

Se eu telefono, estás a falar
ou pensas que é p'ra resmungar
mas quando queres saber de mim
transformas-te em querubim
quero ir para a cama e tu queres sair
se quero beijos, queres dormir
se te apetece conversar
estou numa de meditar

e tu só queres ver-me rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torço o meu nariz e lá se vai o sol

dizes que sou chato e rezingão
se digo sim, tu dizes não
como é que te vou convencer
que, às vezes, também podes...

Atenção!
os dois podemos ter razão
vai por mim
há momentos em que se faz luz

Jorge Palma

quinta-feira, setembro 22, 2005

O Problema das Mulheres

Faltam-me poucas páginas para acabar de ler o livro Os Meus Problemas do Miguel Esteves Cardoso. Como muitos sabem o Miguel é um dos meus autores favoritos. Por mais que uma vez já senti inveja do que escreve. Aqui fica mais um exemplo. Leve, mas bem pensado e escrito. Espero que apreciem, apesar das minhas truncagens e adaptações.

O problema dos homens são as mulheres. E o problema das mulheres também. Concretamente, são as outras mulheres o problema das mulheres.(...) Por outras palavras, as mulheres são sempre o problema. E o problema, diga-se a verdade, é uma coisa que lhes fica bem. (...) Para cada mulher, a população feminina é um exército de rivais. Não se temem nem coibem, por muito formidável que pareça a adversária. A mulher mais fraquinha, mais tolinha e feinha despreza a mais forte, inteligente e bonita, com a maior das facilidades. Não há experiência mais arrepiante do que ver uma mulher a medir outra com os olhos.(...) As mulheres usam os olhos não tanto para olhar para as outras, mas para revistá-las. Revistam-se e depois catalogam-se.(...) As mulheres, quando arranjam um namorado, dizem-lhe sempre que não têm amigas verdadeiras, e que preferem a companhia das homens à das mulheres. E só quando a coisa corre mal que as amigas (que não havia) aparecem milagrosamente para ajudar à autópsia.(...) A rivalidade entre mulheres é um jogo permanente em que os homens são peças temporárias. A maravilha é conseguirem dar aos homens a ideia de que são eles os jogadores, de que são eles os caçadores. O que as mulheres fazem é conceder licenças de caça aos homens sempre que querem caçá-los. (...) É por estas e por outras que as mulheres portuguesas não acham mal roubar os namorados umas às outras: não acham que os homens possam ser alguém.(...) No fundo os homens são vistos como uns tontos desgraçados, brutos mas puros, que existem para que as mulheres possam medir forças entre elas.(...)

quarta-feira, setembro 21, 2005

Nossa Senhora de Fátima

Já poucas coisas me surpreendem e desiludem. Contudo, confesso que hoje, ao ouvir toda esta história da Fátima Felgueiras, senti-me desiludido e envergonhado. Envergonhado por ver uma multidão de gente a apoiar esta senhora, por sinal, bem bronzeada e sorridente. Desiludido por constatar que a justiça não é justa, independente e cega como pensamos, como desejamos. De facto, hoje, o tribunal, por motivos completamente absurdos, ao colocar em liberdade uma pessoa que esteve fugida do país e da prisão durante dois anos, premiou quem não respeita, quem desobedece e se arma em chico-esperto com a justiça. Agora, só espero que todos os presos preventivos em Portugal se tornem candidatos autárquicos de forma a serem, tal como a Fátima Felgueiras, postos em liberdade por imunidade autárquica. E tudo para bem da justiça. Claro.

terça-feira, setembro 20, 2005

Reduz as necessidades se queres passar bem...

Como no outro dia ouvi, por muito dinheiro que se tenha, parece que falta sempre mais um pouco para se ser feliz. Somos de facto, por natureza, uns eternos insatisfeitos e, também, infelizes. Talvez por isso que quando conseguimos uma coisa que queremos o sentimento de felicidade seja tão efémero. Temos sempre a ilusão de que o que não temos é que nos fará feliz. Mas, quase sempre, uma necessidade ocupa mais o coração, durante mais tempo, que uma satisfação. Por isso mesmo é que valorizamos mais o que não temos do que o que de facto temos. O nosso problema não está propriamente em ter o que não temos mas sim, em desejar o que não temos. Quem não quer, nada sofre. Até porque, ter o que se quis não é assim tão bom.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Anormalidades

Hoje, na sala de professores, uma professora falava sobre um aluno que era assim meio para o indisciplinado. Às páginas das tantas uma outra professora questiona:
- É um rapaz de cor, não é?
Resposta pronta da professora que falava sobre o aluno:
- Não, é um aluno normal.

Coisas da escola

Para muitos, a relação entre professor e aluno deve estar assente na amizade. Assim, são colegas, camaradas, amigos e tudo o que é mais fácil encontrar no mundo. O que não são, é o que é mais raro, difícil e ingrato: educadores, disciplinadores, modelos e guias. Não quero se porreiro, nem faço questão que os alunos gostem de mim. Basta que me respeitem e que aprendam. E, já agora, que me deixem jogar à bola com eles. Claro.

Deixa-me rir

Deixa-me rir
Essa história não é tua
Falas da festa, do Sol e do prazer
Mas nunca aceitaste o conviteT
ens medo de te dar
E não é teu o que queres vender

Deixa-me rir
Tu nunca lambeste uma lágrima
Desconheces os cambiantes do seu sabor
Nunca seguiste a sua pista
Do regaço à nascente
Não me venhas falar de amor

Pois é , pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira

Jorge Palma

domingo, setembro 18, 2005

Onde é que já vi isto?















Parati ( Brasil)

sábado, setembro 17, 2005

Dia de descanso

E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito.

Gênesis 2. 2-3

sexta-feira, setembro 16, 2005

Expectativas

Hoje terei o primeiro dia de aulas. E o primeiro dia de aulas é sempre especial e difícil. Desta vez, imagino mil cenários diferentes, porque, sinceramente, não faço a mínima ideia do que vou encontrar. Claro que se disser que a escola fica na Bela Vista, em Setúbal, pode-se ter uma ideia... Mas, quase aposto que me vou surpreender. Ou então não.

Pelo sim, pelo não

Porque raio é que a maior parte das pessoas se diz católiconãopraticante (assim mesmo, como se de uma só palavra se tratasse)? Não acredito que seja apenas por tradição, cultura ou educação. Ou, simplesmente, por ser mais fácil. Tem de haver uma razão de fundo. Ora, quando alguém se diz católiconãopraticante, o que realmente quer dizer é que, na teoria, até acredita em Deus, mas que, na prática, finge que Ele não existe. O que, no dia a dia, diga-se, dá imenso jeito. De facto, quase todos acreditam que Deus é capaz de ser verdade, mas que, ao mesmo tempo, talvez isso não seja assim tão provável. E é precisamente aqui, no meio desta contradição e dúvida, que está a lógica da coisa. A lógica de pensar que, pelo sim, pelo não o melhor é não arriscar. Que, pelo sim, pelo não mais vale ser católiconãopraticante do que não ser nada. Porque, afinal, se Deus não existir não se perde nada. E caso exista, garante-se uma entrada directa no reino dos céus (porque, como sabemos, Deus protege sempre os seus). É essa a razão de fundo. Por isso mesmo é que se faz questão de baptizar as criancinhas na igreja católica, mesmo quando os pais até nem acreditam muito, ou nada, em Deus. Afinal, pelo sim, pelo não mais vale não arriscar. Ora bem.

Hoje de manhã saí muito cedo

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre -
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

Acabaram-se as férias...

quinta-feira, setembro 15, 2005

Frase do dia

Quem tem a certeza de ter quem quer, ou não tem, ou não quer grande coisa.

Por estes dias tenho-me sentido só. Esteja com quem estiver. Talvez a culpa até seja minha, pois, acredito que, só se sente só quem não consegue estar consigo mesmo. E se uma pessoa não se suporta a si mesmo, como não há-de ser insuportável para os outros? Não sei se é esse o meu caso. Porém, reconheço que ando desleixado e desinteressado de mim mesmo. Quem me dera que a minha própria companhia fosse tão boa que forçasse as outras pessoas a competir com ela. Talvez assim as relações fossem mais verdadeiras. E em vez de todos se darem com todos, talvez, todos dariam um pouco mais de si aos outros. Ou não será verdade que só as pessoas que têm o cuidado de estimar as suas próprias companhias, passando tempo com elas, são capazes de ser boa companhia para os outros?

Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa

Saudade da mha terra de São Nicolau...

De volta

Após 3 meses de ausência, estou de volta. Noutras condições, mas sempre com o mesmo espírito. Espero que continuem passando por aqui. Eu vou tentar fazer o mesmo. Até já.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Eis a Sofia

Olá amigos. Ando um pouco "sumida" devido aos cuidados com minha filha, a Sofia Maria (essa coisinha fofa das fotos a seguir). A dedicação a esse pequeno ser é total e o blog ficou meio que de parte. Mas para prestigiar aqueles que continuam acessando esta página mesmo estando a tanto tempo sem ser atualizada, tirei um tempinho do meu precioso descanso que nos últimos dias tem sido bem escasso. Também estamos fechando um ciclo e iniciando um novo em nossas vidas como família. Além da novidade Sofia tem a novidade mudança para cidade nova e igreja nova. Sim, estamos de mudança para Passa Três (Rio Claro, RJ) no dia 27/08.
Então, a Sofia já está apresentada (nasceu de parto normal no dia 2/8 com 3,205 kg e 48 cm). Para ela também é um prazer conhecê-los.


Posted by Picasa Viva a alegria das cores!!!


Posted by Picasa Mais "fofinha" a cada dia.


Posted by Picasa Preparada para um passeio ao sol.

sexta-feira, agosto 19, 2005

"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." Antoine de Saint Exupery

quarta-feira, julho 27, 2005

O Carvalho

Pois é, essa árvore é usada pelos botânicos e geólogos como um medidor de catástrofes naturais do ambiente. Quando querem saber o índice de temporais e tempestades ocorridas numa determinada floresta, eles observam logo o carvalho (existindo no local, é claro), que naturalmente é a árvore que mais absorve as conseqüências de temporais.
Quanto mais temporais e tempestades o carvalho enfrenta, mais forte ele fica! Suas raízes naturalmente se aprofundam mais na terra e seu caule se torna mais robusto, sendo impossível uma tempestade arrancá-lo do solo ou derrubá-lo! Mas não pense que os cientistas precisam fazer essas análises todas para saber isso! Basta apenas eles olharem para o carvalho.
Por absorver as conseqüências das tempestades, a robusta árvore assume uma aparência disforme, como se realmente tivesse feito muita força. Muitas vezes uma aparência triste!
Cada tempestade para um carvalho é mais um desafio a ser vencido e não uma ameaça! Numa grande tempestade, muitas árvores são arrancadas, mas o carvalho permanece firme!
Assim devemos ser.

quarta-feira, julho 20, 2005

Amizade


Posted by Picasa Hoje é o Dia Internacional da Amizade, mas também poderia ser Dia da Amizade Internacional, não acham? Aos atuais e futuros amigos, um abraço.

O Mundo de Sofia


Posted by Picasa Li este livro há dez anos atrás. Posso dizer que o li uma vez e meia. A primeira li como um romance e na segunda li somente as partes das lições filosóficas. Mas não é sobre o livro que pretendo falar. Quero dizer que estão encerradas as sugestões para o nome da minha filha. Decidimos que será Sofia Maria (uma homenagem à bisavó). Por aqui no Brasil ainda não é um nome muito comum, apesar de nomes clássicos estarem na moda. Agradeço a todos que participaram com sugestões, realmente foi muito difícil tomar essa decisão. Numa outra oportunidade vos conto mais sobre o Mundo da Minha Sofia.

sexta-feira, julho 15, 2005

Bye bye Cabo Verde


Posted by Picasa Desejo ao João uma boa viagem de regresso.

terça-feira, julho 12, 2005

O Sossego das Férias?

Por aqui as férias escolares do meio do ano duram 15 dias já que estamos no inverno. Mas, como a maioria do povo não tem dinheiro para curtir as tais férias em viagens ou mesmo patrocinar acampamentos ou passeios para os filhos, os miúdos em geral ficam em casa mesmo. No máximo vão passar uns dias nos avós ou tios se estes morarem perto. Resultado: o barulho nas ruas aumenta substancialmente. Vemos e ouvimos as crianças brincando nas ruas, os adolescentes curtindo suas músicas no volume máximo, as ruas apinhadas de gente andando para lá e para cá numa movimentação sem igual. O povo brasileiro é bem barulhento. Alguns jovens retiram a panela de escape dos carros e motos só para fazerem um som mais potente (???). Agora imaginem: Crianças gritando, música alta e carros com motor fazendo o som de um F1 (mas passando a 40 km/h para garantirem que são notados). Ah as férias...

domingo, julho 10, 2005

Tudo acaba em Pizza

No Brasil, passamos por momentos de crise política. O partido do governo está sendo investigado por corrupção. Claro que a corrupção não é só por parte do partido do governo. Podemos dizer que é generalizada. O que desanima é que enquanto correm as investigações todo o resto fica parado (os projetos ficam sobre a mesa), e no final geralmente ninguém é punido (pelo menos é o que tem acontecido nos últimos casos), ou seja, acaba em PIZZA. Usamos essa expressão quando queremos dizer que após tanta discussão e debates acalorados eles acabam se entendendo e tudo fica bem, afinal, "brasileiro tem memória curta".
Por falar nesse prato maravilhoso e adaptável a gostos variados, hoje é comemorado o dia da Pizza por aqui. Sempre uma ótima pedida. Aceita uma fatia??

quinta-feira, julho 07, 2005

Notícias do Exterior

Só para dizer que, apesar de estar sem net e praticamente de férias, ainda estou vivo. Até breve. Ou não.

WANTED

Há muito tempo não tenho notícias ou sinal de vida do João Narciso. Será que ele foi abduzido por por algum extraterrestre? Será que foi sequestrado por algum terrorista iraquiano? Será que fugiu com a tal dentista de seu último post? Será que assumiu sua identidade eremita e está escondido em alguma caverna? Se alguém tiver alguma pista... escreva neste blog. João, se de alguma forma conseguir ler esse post, ou alguém que estiver com ele, por favor mande uma prova de vida (talvez um pedaço da orelha ou um dedo). Brincadeirinha. João, apareça.

terça-feira, julho 05, 2005

C.S. Lewis

Sei que dentre os leitores do Coisas Breves muitos gostam dos livros do C.S. Lewis. No momento ando a ler "A Experiência de Ler" (An Experiment in Criticism). Alguém já teve essa experiência? Estou gostando do princípio, só não sei até quando o autor terá argumentos para o tema. Mas do C.S. Lewis podemos ter boas expectativas.

quinta-feira, junho 30, 2005

Boas notícias do interior

Ontem fui fazer uma ecografia para verificar como está se portando a mocinha que já há algum tempo carrego na barriga. Pois bem, conseguimos ver seu rostinho que o Daniel garante que se parece comigo mas que para mim se parece com um bebê como todos os outros. Estamos na 34ª semana (em geral no total são 40 semanas) e a menina "já" pesa 2396 gramas. O meu peso não vem ao caso. Aos amigos e familiares agradecemos a torcida e as orações.

segunda-feira, junho 27, 2005

Deus dá nozes a quem não tem dentes

Na sexta-feira à tarde parti um dos dentes da frente. À custa disso, passei o fim-de-semana praticamente fechado em casa, com vergonha que alguém me visse naquela triste figura. Pois, é que só hoje, pela tarde, é que consegui restaurar aquele maldito dente. Mas, a verdade é que podia ter sido bem pior, pois, até há bem pouco tempo atrás, o dentista só vinha a São Nicolau uma vez de dois em dois meses. O que vale é que agora temos uma dentista local, acabadinha de concluir o curso no Brasil. E que dentista… Arrisco mesmo a dizer que é do melhor que tenho visto por aí. E ainda por cima até percebe alguma coisa de dentes e coisas assim! Aliás, se eu soubesse que era assim, já tinha partido um dos dentes há muito tempo. Garanto-vos.

Hugo Cunha

Durante o fim-de-semana morreu mais um jogador de futebol de morte súbita. Desta vez foi o Hugo Cunha, futebolista do União de Leiria., do qual eu era especial fã. Confesso que a frequência com que, ultimamente, tem acontecido este tipo de mortes em desportistas me preocupa, ao ponto de me deixar um pouco apreensivo quanto aos efeitos benéficos do desporto, pelo menos, profissional. Contudo, o que me leva a falar desta morte em particular, tem que ver com o facto de conhecer o Hugo Cunha desde os 13 anos e de, por isso, sentir esta morte mais de perto. Recordo-me de, uma vez, assistir a um jogo de iniciados do barreirense, onde ele era capitão e número 10, e este rapaz agarrar na bola a meio campo fintar todos os jogadores da outra equipa e, quando os sócios já protestavam e lhe diziam para ele passar a bola, marcar um golo de outro mundo. Aliás, eu vivia impressionado com a sua técnica espantosa, ao ponto de, ainda hoje, eu preservar, no meu vasto reportório de pequenos preciosismos técnicos, uma finta, por sinal bastante eficaz, que aprendi com ele num dos treinos de iniciados há, pelo menos, 15 anos atrás.

Abrindo o jogo

Sei que não sou uma pessoa famosa e nem tenho muito jeito para a escrita. Sou um pessoa comum do tipo "gente como a gente". Não levo uma vida cheia de aventuras e nem tenho uma profissão interessante. Não pratico esportes radicais e nem faço viagens a lugares exóticos. Ainda assim, no meu mundinho, encontro muitas coisas para dizer sobre a minha pessoa, coisas do tipo a seguir.

Coisas que me fazem rir:
Cócegas, música brega (bimba), conversa de criança, vídeos divertidos do Animal Planet, a ginástica respiratória do meu sogro.
Coisas que eu amo fazer:
Dormir, viajar, aniversário, tomar banho.
Coisas que me assustam:
Meu reflexo de manhã, filmes de terror, os preços no supermercado, andar de ônibus no Rio de Janeiro.
Coisas que não entendo:
Beisebol, os homens, a história do Senhor dos Anéis.
Coisas sobre minha mesa:
Cola, CDs do Jorge Palma (doados pelo meu cunhado), agendas, papéis, canetas, um lixinho básico do lanche, telefone.
Coisas que não sei fazer (ainda):
Dirigir, trocar fraldas, tocar violino, digitar sem olhar, desenhar.
Coisas que não esqueço:
A morte de uma colega de 14 anos que se jogou da janela do 5º andar, a passagem do cometa Halley, minha irmã me salvando de um afogamento.
Coisas que gosto de ler (além dos livros):
Coisas Breves, jornal, enciclopédias, dicionários, rótulos no supermercado, bula de remédio, anúncios nos outdoors.
Penso que todos têm coisas a dizer sobre si por mais inerte e sedentário que seja. Lembram-se do filme O Náufrago?

domingo, junho 26, 2005

Sim, Sei Bem

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

Fernando Pessoa

sábado, junho 25, 2005

Sem comentários

sexta-feira, junho 24, 2005

O que move o homem?

Numa tarde destas juntei-me com uns colegas para uma grelhada. Às páginas das tantas, a conversa descambou para a filosofia e para a questão do que move o homem e o mundo. E, independentemente do que se discutiu, foi interessante notar que cada um tem uma perspectiva própria desta questão. E haviam opiniões para todos os gostos. Alguns, mais freudianos, defendiam que eram as mulheres e, em última análise, o sexo. Outros, mais hedonistas, diziam que era apenas a busca do prazer, nas suas diferentes formas, como vislumbre da felicidade. Havia também alguns, mais liberais, que argumentavam que era o dinheiro ou, de uma forma mais geral, o poder. E outros, mais religiosos, que defendiam que era a vaidade. Mas, apesar da diversidade de ideias, a verdade é que não se chegou a conclusão nenhuma. Nem é isso que me interessa. Pois, tenho para mim, que a questão é demasiado qualquer coisa para concluir o que quer que seja. O mais certo é nem haver uma lei geral. Porém, o que é certo, é que as pessoas, ao contrário dos animais, têm motivações que vão para além das necessidades básicas de sobrevivência. E, nesse sentido, torna-se muito interessante ouvir as opiniões dos amigos quanto a este assunto. Pois é aí que as respostas são quase sempre reveladoras das suas personalidades. Dos seus interesses. Das suas motivações.

Frase do dia

Se você está se sentindo um inútil, que nem serve como pano-de-chão,um frustrado, imprestável e insignificante, lembre-se: um dia você já foi o espermatozóide mais esperto da turma..

Ainda sobre o arrastão...

Alguns amigos, ainda meio afectados pela psicose gerada pelo, suposto, “arrastão”, têm-me perguntado sobre a criminalidade aqui em Cabo Verde, como que São Nicolau fosse uma espécie de Cova da Moura e a insegurança, os assaltos e a violência fossem situações normais e frequentes. De facto, e infelizmente, existe uma ideia enraizada, na maior parte dos portugueses, que os Cabo-verdianos (como os ciganos, os guineenses e outros) estão fatalmente predestinados para o crime. Pura ignorância. Só para que conste, desde que estou em São Nicolau, nunca ouvi falar de um assalto ou de qualquer acto de violência que por aqui tenha ocorrido. E notem que só temos 6 polícias para a ilha inteira.

Só pessoas muito ignorantes é que podem associar os recentes actos de criminalidade a razões de cor ou nacionalidade. Se existe uma forte associação da pequena criminalidade às comunidades de origem cabo-verdianas, ou outras, tal se deve a um problema puro e duro de integração. Deles e, especialmente, nosso. De facto, em vez de os aceitarmos como portugueses que são, preferimos remete-los para a ilegalidade e os acantonar em autênticos ghuetos, onde, com as maiores taxas de desemprego, consumo de droga, analfabetismo e miséria, só se sobrevive dignamente se se enveredar pelo mundo do crime ou algo semelhante. Por isso, não nos devemos espantar nem surpreender com o que tem vindo a acontecer. Afinal fomos nós, orgulhosamente portugueses*, que criámos a bomba relógio que ao que parece, pelos últimos acontecimentos, está prestes a explodir.

*Já agora aconselho a leitura deste post, no Acidental, que de uma forma muito bem-humorada nos remete, os orgulhosamente portugueses, para as nossas mais fiéis origens.

quinta-feira, junho 23, 2005

Justificação II

Retomar a escrita diária neste blogue está mais difícil do que pensava. É certo que as tarefas escolares terminaram mas a verdade é que o bom tempo para a praia, as festas (nunca vi uma terra com tantas festas), a preguiça e a falta de inspiração insistem em não acabar.

quarta-feira, junho 22, 2005

Quando o verão chegar

Quando o verão chegar
Eu quero ser mais forte do que sou...
Sem medo no olhar
Nenhum motivo p'ra chorar
Quando o verão chegar
O Sol mais forte aparecerá
E vai nos aquecer
Viver é preciso viver
Por isso vem,
Não pare de sonhar
Com Deus no coração
Sonhar é mais que realidade
Por isso vem
Contigo eu sou mais eu
Preciso de você
P'ra sempre e sempre ao meu lado
Quando o verão chegar
Eu quero transformar tudo em amor
Um mundo bem melhor
P'ra minha filha poder brincar...

Grupo Catedral

segunda-feira, junho 20, 2005

Justificação

Por imperativos profissionais, avaliações de final de ano e outras tarefas associadas, tem-me sido impossível escrever aqui com a regularidade que queria. Contudo, lá para quarta-feira, tudo voltará ao normal. Até lá.

sábado, junho 18, 2005

Sábado de Sol

Uma dica de/para futuros pais para um lindo sábado de sol. Para o papai, pela manhã, participar de um torneio de futebol, parando para um bom almoço com os amigos, terminando a tarde de preferência ganhando o torneio e voltando para casa à noite feliz da vida, e cheio de histórias para contar. Para a mamãe, pela manhã, lavar todas as roupinhas do bebê que vai nascer em breve, almoçar o que sobrou de ontem, passar a ferro toda a tarde e esperar o marido chegar à noite feliz da vida, mas com uma baita dor nas costas.

quinta-feira, junho 16, 2005

Contagem decrescente II

Daqui a precisamente 1 mês chegarei a Portugal. Em festa.

É urgente o amor

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

Praticamente de férias...

by Helga Correia ( Ilha do Maio / Cabo Verde )

Contagem decrescente

Daqui a precisamente 1 mês deixarei São Nicolau. Em lágrimas.

Adaptações

Morei em Portugal por dois anos (2000/01) e tenho muitas recordações desse período. Em especial das primeiras semanas de adaptação. Vou tentar contar algumas experiências que me lembro por hora.
No meu primeiro jantar teve sopa de nabiça. Depois de 12 horas de viagem eu estava mesmo com fome e confesso que me decepcionei com a tal sopa ralinha (é que no Brasil não temos o hábito de sevir sopa como entrada, geralmente é uma saladinha). Se bem que na casa da minha mãe, quando tinha sopa para o jantar era só sopa mesmo, então, era bem reforçada. Mas, para não fazer desfeita comi a tal da sopa e estou traumatizada até hoje.
Eu tinha levado algumas prendas para a família mas não estavam embrulhadas. Previdente que sou, levei as embalagens das lojas mas me esqueci de levar a fita cola (que por aqui chama-se durex). Em um dado momento exclamei: Não acredito que fui esquecer justamente de trazer durex! Gente! Alguém tem durex para me emprestar?! Percebi um certo silêncio até receber uma cotovelada do Daniel dizendo o que era o tal durex em Portugal. Enfim, os embrulhos foram sem durex mesmo.
Num outro dia estava eu procurando um "tanque" para lavar algumas peças de roupa. Não tive sucesso. Achei muito estranho as casas não terem (pelo menos as que eu conheci) uma área de serviço, um local exclusivo para abrigar a máquina de lavar roupas, o tanque e outros utensílios de limpeza. Por falar em utensílios, me lembrei do rodo (aquela ferramenta doméstica que tem um cabo como o das vassouras mas em vez de pelos tem uma faixa de borracha para puxar a água do chão). No princípio não sabia como limpar uma casa sem o tal rodo. Só depois me acostumei à esfregona que também é bem prática.
Minha primeira ida ao supermercado foi cheia de novas descobertas. Primeiro a adaptação a uma nova moeda e depois aos "novos" produtos. Outras marcas, outras embalagens... Por aqui as embalagens de sabão em pó são de 1 kg só, e usamos o mesmo pó para lavar à mão ou à máquina, por exemplo.
No talho foi bem difícil. Eu, acostumada a comprar muita carne de boi (ou de vaca se preferirem), não sabia como pedir os cortes do mesmo. Por aqui não pedimos um bife de boi simplesmente, pedimos bife de alcatra, contra-filé, paleta, coxão, e por aí vai. Depois foi o preço (nesse caso me adaptei rapidinho) que não permitia consumir a carne de boi na mesma medida que aqui. E lá fui eu para os bifes de peru e de porco, muito mais em conta e também saborosos.
Até uma coisa simples como o sal tem sua particularidade. Usamos o sal fino para cozinhar e minha mão já sabia a medida. Quando me deparei com o sal mais grosso errei várias vezes. Para mim sal grosso era só para o churrasco.
Daí o churrasco. Bom, quando me convidaram para ir à churrasqueira logo me empolguei. Oba, picanha, costela! Até que veio o garçon com um frango esquartejado e eu pensando com os meus talheres: cadê o churrasco?! Mas o frango estava uma delícia.
A adptação aconteceu rapidamente e para mim foi uma expeiência inesquecível. Amei estar em Portugal, sinto saudades. Enquanto estava a viver lá era mais portuguesa do que os próprios portugueses (em geral não valorizamos o que é nosso). Vesti a camisa.
E você, alguma vez já passou por uma situação dessas?

quarta-feira, junho 15, 2005

As Mãos e os Frutos

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

O Poeta

( Cidade da Praia / Ilha de Santiago / Cabo Verde )

terça-feira, junho 14, 2005

As aparências, por vezes, iludem...

Ao que parece Michael Jackson foi ilibado de todas as acusações, referentes a abusos sexuais a menores, de que era alvo. Apesar disso, certamente que a maior parte das pessoas não acredita que ele esteja inocente. A sua aparência e excentricidade não jogam a seu favor. Ainda se fosse, assim bem parecido, como o Carlos Cruz ou o Paulo Pedroso até podia ser. Mas assim... não engana ninguém. Não é?

Jantar com o Embaixador (Actual.)

Ontem, por ocasião de um jantar de boas vindas oferecido pela câmara municipal, tive a honra de poder receber, praticamente na minha casa, o embaixador de Portugal em Cabo Verde. Digo praticamente em minha casa porque o jantar foi no restaurante da pensão onde vivo. E ainda bem. Porque só assim é que pude assistir, enquanto comia lagosta e outras iguarias, a uma extraordinária tocatina de música cabo-verdiana. Venham mais destes.

[Adenda]: Acabo de receber um telefonema da Câmara Municipal da Vila da Ribeira Brava a sugerir que, eu e a minha colega, convidemos o Sr. Embaixador para jantar de novo. Ao que parece não têm nada para ele fazer esta noite... O pior é que, desta vez, quem vai pagar o jantar vamos ser nós. Só espero que não goste muito de lagosta... Afinal, é melhor não virem mais destes.

Álvaro Cunhal

Aos 91 anos, Álvaro Cunhal, o pai do comunismo em Portugal, morreu. Personagem incontornável da vida política portuguesa, Álvaro Cunhal sempre cultivou uma imagem de ser superior, imutável e misterioso. Foi talvez o político português que mais paixões e ódios arrebatou. Claro que, postumamente, como sempre, quase todos são unânimes em elogios. Uns dizem que foi de uma coerência ímpar. Outros, que foi herói na luta que fez pela conquista da democracia e liberdade em Portugal, e não sei mais o quê. Mas, sejamos claros. Álvaro Cunhal não foi coerente. Foi simplesmente pouco atento, para não dizer burro, em não perceber as mudanças radicais que, ao longo do tempo, foram acontecendo no mundo e nos países que eram o seu modelo político. Mais. Por muito que custe a alguns, a verdade é que Álvaro Cunhal nunca foi pela democracia e liberdade. Não eram esses os seus ideais. O seu único ideal era o comunismo. Tudo o resto eram meios para atingir o seu fim: A substituição da ditadura Salazarista de direita por uma ditadura comunista igualzinha à da antiga Albânia. Mas, note-se, tudo em prol dos trabalhadores e da classe operária. Claro.

De volta

Após estas mini-férias, estou de volta às Coisas Breves. Espero que vocês também. Até já.

segunda-feira, junho 13, 2005

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

Eugénio de Andrade

sábado, junho 11, 2005

Arrastão

Deu nos jornais brasileiros: "Centenas de jovens assaltaram banhistas em uma das praias mais famosas de Portugal nesta sexta-feira, e pelo menos dois policiais ficaram feridos na confusão. Cerca de 400 jovens em gangues invadiram a praia lotada em Carcavelos, um distrito rico cerca de 20 quilômetros a oeste de Lisboa, atacando e roubando banhistas no feriado nacional de Portugal, disse a polícia em comunicado. A tropa de choque foi chamada para acalmar a situação. Quatro pessoas foram presas, segundo a polícia. Roubos de gangues são raros em Portugal, que desfruta de um índice de criminalidade relativamente baixo."
Com tanta coisa boa para Portugal importar do Brasil foram logo pegar essa terrível modalidade criminal? Que tomem providências já. Ou será que nem mesmo ir à praia sossegado um indivíduo pode mais? O "arrastão" é uma vergonha para o Brasil, em especial para o Rio de Janeiro.

sexta-feira, junho 10, 2005

Dia dos Namorados

Por aqui no Brasil comemoramos o dia dos namorados no dia 12 de junho (foi escolhido o dia 12 por ser véspera de Santo Antônio, o "santo casamenteiro"). A escolha do mês de junho não passou de uma estratégia de marketing, já que nesse mês as vendas no comércio costumavam ser baixas. Não importa se sua origem é comercial ou romântica, o que me interessa é que hoje à noite nossa igreja vai promover um jantar de casais e o cardápio vai ser de frutos do mar (camarão, lulas e coisas assim) a um precinho módico de R$ 35,00 por casal (cerca de 12 Euros pelo câmbio atual). Alguém está interessado?

quinta-feira, junho 09, 2005

Num dia de praia, fica o conselho...

Se alguém lhe disser, enquanto toma banho no mar, que a água junto a ele está mais quentinha, desconfie. No mínimo.

Não digas nada

Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

Fernando Pessoa

Desejos

quarta-feira, junho 08, 2005

Constatação

O meu maior problema nas aulas* é o chulé. Dos alunos. Note-se.

* Já agora, convém que se saiba que as aulas são dadas em salas pequenas, muito quentes e sem ventilação, com cerca de 40 alunos por turma, transpirados e, ainda por cima, calçados de chinelos ou sandálias.

Época de incêndios

Depois da época balnear, da época de exames, da época da caça, passámos a ter, também, a época dos incêndios. Todos os anos a mesma coisa. Primeiro vem a seca. Depois as ondas de calor. E, finalmente, os incêndios. Parece algo inevitável. Mas não é. Tudo isto é preparado ao mais ínfimo pormenor. Como se de um ritual se tratasse. De facto, isto não é mais do que uma campanha publicitária, orquestrada pelos órgãos de informação, em especial as televisões, ávidos de imagens dantescas com chamas alaranjadas a lamber o máximo de árvores e casas possíveis. Não tenham dúvidas. As televisões preparam-se melhor, com equipamentos sofisticados, montes de jornalistas corajosos, uns quantos helicópteros e não sei mais o quê, do que os próprios bombeiros. Claro que depois há que justificar todo esse investimento. O que faz com que os primeiros 20 minutos de telejornal sejam aquela miséria informativa exclusivamente sobre incêndios. Inevitavelmente, tudo é sobrevalorizado, exagerado e dramático. Os aviões. Ou a falta deles. Os helicópteros lançando jorros de água sobre as chamas. Bombeiros correndo de um lado para o outro, impotentes. Sucessivas entrevistas a gente transpirada e suja de cinzas. Rostos de velhinhas cobertas de lágrimas. Hectares e hectares destruídos. Pontos de situação. Enfim... É de um gajo ficar farto. Enojado, até. Dos incêndios, é certo, mas mais ainda dos telejornais. Uma verdadeira seca. E pior, a melhor publicidade para que haja mais incêndios e incendiários. Mas isso não interessa nada. Desde que as audiências estejam garantidas. Claro.

Depus a máscara

Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos

Outros transportes...

by Helga Correia ( Senegal )

terça-feira, junho 07, 2005

Desejos da época

Apetece-me cuspir caroços. De cerejas. De muitas cerejas. Daquelas, doces e frescas, que vêm às 3 e às 4 de uma vez.

Não sei se isto faz sentido, mas...

Imagine se a paixão funcionasse ao contrário. Tudo começaria numa discussão. Seguir-se iam algumas traições e mentiras. Depois, alguns ciúmes e quem sabe algum interesse. Claro que, com o tempo, o interesse ia-se intensificando até ficar mais forte que nunca. Cada pequena coisa nos iria surpreender, como se fosse a primeira vez. A paixão tomaria conta de nós, aos poucos, de uma forma cada vez mais intensa e menos madura. Sempre em crescendo. Até que, por milagre, perderíamos da nossa consciência tal pessoa. Como se nunca a conhecêssemos.

Ainda o défice...

Nestes últimos dias muito se tem falado no défice e nas medidas muito chatas que o governo anunciou. Eu próprio já aqui disse qualquer coisa sobre isso. Porém, deixem-me voltar ao assunto, e em particular, à intenção do Governo de tornar públicas as declarações de rendimentos dos contribuintes. A ideia é simples. Tornar cada pessoa num informador fiscal da fraude do vizinho, conhecido ou amigo. Claro que para isto funcionar, será necessário que todos tenhamos um pouco de curiosidade, inveja, mesquinhez e vaidade. Mas isso não é problema, pois há muito que os nossos antepassados se encarregaram de colocar isso nos nossos genes.

Assim, não tenho dúvidas que muitos, por curiosidade, não deixarão de ir consultar os rendimentos dos amigos e vizinhos e de fazer dessas declarações conversas de supermercado e de maledicência. Claro que isso fará que alguns, por inveja e mesquinhez, denunciem o seu vizinho ou amigo. Ou, pelo menos, que alguns, por vaidade, passem a declarar mais qualquer coisa só para fazerem figura perante os vizinhos.

No entanto, parece-me que esta medida pode-se tormar contra producente. Ora todos sabemos que são poucos aqueles que, podendo, não fogem ao fisco. Desde que seja o estado, o desconhecido ou abstracto a lixar-se, não há culpa que nos faça sentir mal. Pelo contrário. Caso não o façamos ou é porque somos estúpidos ou ignorantes. Afinal, nós somos uns espertalhões, e o que seria trágico era se, podendo, não fugíssemos ao fisco. Está na nossa cultura. Assim, ou muito me engano ou então, as declarações fraudulentas, de acesso público, em vez de serem eventualmente denunciadas vão servir é como manuais de aprendizagem de fuga ao fisco. Até porque se outro ganha com isso porque não hei-de eu ganhar também? E desde que ganhemos todos, não há grande problema. Não é?

segunda-feira, junho 06, 2005

Estado de Espírito

Hoje não me apetece. Os índices de preguiça estão ao rubro.

domingo, junho 05, 2005

Carambolas!


Posted by Hello Não pensem que é um "palavrão". Carambola é simplesmente o nome dessa frutinha aí da foto que tem uma forma curiosa, de gomos achatados, que, quando cortados no sentido transversal, têm o aspecto de estrelinha. Essa fruta é originária da Ásia mas veio para o Brasil desde 1817 e caiu no gosto do povo. Tem um exótico sabor agridoce e é ótima para fazer sucos bem refrescantes sem falar nas vitaminas, tanino, e essas coisas nas quais normalmente não pensamos quando bebemos um suco no verão.

sábado, junho 04, 2005

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

sexta-feira, junho 03, 2005

Abre a janela do quarto e deixa o sol entrar...

by Helga Correia ( Caleijão / São Nicolau / Cabo Verde )

Das duas uma

Já aqui referi a minha concordância com as medidas anunciadas pelo governo português para fazer frente ao défice. Das duas uma. Ou faço-o porque ainda sou ingénuo em acreditar nos políticos, nas políticas, nas ideologias e no bem comum. Ou então porque não sou um funcionário público, fumador, prestes a subir de carreira, com dois filhos para criar e dois automóveis para sustentar.

Constatação

Quando um homem se interessa pelo corpo de uma mulher, ela acusa-o de só se interessar pelo corpo dela. Mas, quando ele não se interessa pelo corpo dela, ela acusa-o de só se interessar pelo corpo de outras mulheres. Vá se lá entender...

Cúmulo da adaptação

Hoje dei conta do quanto estou adaptado a São Nicolau, a Cabo Verde, a África. Então não é que já consigo beber dois ou três golos de água, directamente da torneira, sem ficar com uma crise de diarreia?!

* Por outro lado, andar a beber água de garrafa, durante dois anos, de uma marca com o nome Penacova também não é lá muito animador... Ainda para mais a 1 euro o litro...

quarta-feira, junho 01, 2005

Desabafo

"Distribuição de renda no Brasil é 2ª pior do mundo de acordo com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). BRASÍLIA (Reuters) - Apesar dos avanços nos últimos anos nas áreas de educação e combate à pobreza, o Brasil continua a ter uma das piores distribuições de renda do mundo, perdendo apenas para Serra Leoa, na África. O instituto, ligado ao Ministério do Planejamento, apontou que 1% dos brasileiros mais ricos detêm uma renda equivalente aos ganhos dos 50% dos mais pobres."
Lendo este artigo dá para entender muita coisa. O brasileiro trabalha sim, e muito, mas seus rendimentos... são poucos. Férias é um "luxo" que poucos usufruem. Mesmo os que ficam um mês longe de seus empregos, não conseguem viajar ou passear com a família. Aproveitam para "aliviar" alguma prestação ou então quitar uma dívida. Mas a maioria mesmo aproveita as férias para arranjar um bico (biscate) para complementar a renda familiar. O índice de desemprego é alto, mas é porque a maioria das pessoas estão em algum trabalho informal, ou seja, não descontam para a previdência. Sabe lá o que é você ter que ficar 12 meses pagando um guarda-roupa ou 20 meses pagando a geladeira? O povo faz prestações até nas compras de supermercado (quando passamos pelo caixa nos perguntam se queremos parcelar em quantas vezes, 3, 4 ou 5). Embora tenhamos uma das maiores produções agropecuárias do mundo o Brasil é um país onde é preciso o governo fazer campanha contra a fome . Falta comida!!! Nossos depósitos de lixo possuem milhares de pessoas que vivem (sobrevivem) catando aquilo que podem. Coisas assim acontecem e fazem parte do nosso dia a dia.
Os primeiros colonizadores traziam espelhos para os nativos em troca de metais, pedras, animais e talvez até serviços. Os governantes hoje em dia também nos dão espelhos, mas esses agora têm outro nome. No ano que vem teremos eleições para presidente, governadores, senadores e deputados em outubro. Teremos também um grande espelho para nos distrair, a copa do mundo, além dos habituais espelhinhos de sempre, carnaval e festas populares. Nesses dias parece que tudo vai bem, nos esquecemos de toda a problemática da política. E sorrimos, festejamos e celebramos mesmo de barriga vazia e boca desprovida de dentes: O BRASIL É PENTA CAMPEÃO!!!

Ainda as crianças

Como todos os Dias Internacionais de Qualquer Coisa, Cabo Verde, viveu o Dia Mundial da Criança de uma maneira bastante efusiva e visível. Mas este dia foi bem especial. Tão especial que o governo, ontem, decretou o dia de hoje como feriado nacional, como, ao que parece, já era no tempo de Amílcar Cabral. Mas o que foi realmente bem especial foram as actividades que as crianças realizaram. Teatro, danças, desporto, poesia, música e actividades lúdicas, tudo foi vivido com uma intensidade impressionante. De facto, elas conseguem proporcionar momentos únicos, com uma vivacidade e alegria incomparáveis, convencendo-me, cada vez mais, que, apesar de todas as dificuldades, são imensamente felizes.

* Já agora, aproveito o tema para partilhar com vocês a primeira foto da minha sobrinha (e filha da Renata).

Dia Mundial da Criança

( Vila da Ribeira Brava / São Nicolau / Cabo Verde )

terça-feira, maio 31, 2005

O amor é uma coisa a vida é outra

Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Por que se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornam-se sócios. Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psicosócio-bio-ecológica da camaradagem. A paixão que devia ser desmedida é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade ficam "praticamente" apaixonadas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim da tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O amor é uma coisa a vida é outra. A vida que se lixe. A vida dura uma vida inteira, o amor não.

* Texto adaptado, rasurado e emendado a partir de uma crónica de Miguel Esteves Cardoso

Nasce Selvagem

Mais que a um país
Que a uma família ou geração
Mais que a um passado
Que a uma história ou tradição

Tu pertences a ti
Não és de ninguém

Mais que a um patrão
Que a uma rotina ou profissão
Mais do que a um partido
Que a uma equipa ou religião

Tu pertences a ti
Não és de ninguém

Vive selvagem e para ti serás alguém
Nesta viagem

Quando alguém nasce, nasce selvagem
Não é de ninguém
Quando alguém nasce, nasce selvagem
Não é de ninguém, de ninguém

Delfins

Outros Sinais

By Helga Correia ( São Nicolau / Cabo Verde )

Pensamento do dia

Apesar de Cabo Verde ter a sua companhia aérea nacional e a sua própria marca de cerveja, ainda não é um país para ser levado a sério. Pelo menos enquanto não tiver uma boa equipa de futebol e algumas armas nucleares. Pois claro.

segunda-feira, maio 30, 2005

Vidas Reais

Passei este fim-de-semana no Tarrafal, local sempre muito animado e divertido. Oportunidade para assistir a um festival de música e conviver com alguns amigos que tenho por ali. E foi ali que soube de uma história que se passou, no pólo escolar do Tarrafal, nestes últimos dias. A história, apesar de bem real, é meio rocambolesca e vão-me desculpar se não a conseguir contar como deve ser. Tudo começa na escola, quando uma aluna do 8ºano, com 15 anos, apareceu em pânico, e a chorar imenso, a dizer que a queriam matar. E para fazer prova disso mesmo, mostrava 10 cartas anónimas onde, em brasileiro, se podiam ler diálogos de amor, discussões de ciúmes, declarações de amor, relatos amorosos, revelações de gravidez, ameaças, e.t.c. Ao que parece, todas estas cartas tinham que ver com um rapaz, com o qual esta aluna tinha um relacionamento, e, supostamente, pelo que a aluna dizia, eram escritas pela namorada do tal rapaz. Numa dessas cartas fazia-se mesmo uma ameaça de morte, dizendo que se a tal aluna não deixasse o tal rapaz sossegado iria morrer. Ora, quando todos os professores tentavam desvalorizar tais palavras, foi aí que a aluna começou a dizer que se estava a sentir mal, mal disposta e com náuseas. Enquanto todos atribuíam tal mal-estar aos nervos da rapariga, ela começa a dizer que não, que era algo muito mais grave, e que se recordava de ter bebido uma garrafa de água que não lhe tinha sabido muito bem e que se calhar, dadas as ameaças, a água estaria mas era envenenada. Claro que ninguém levou a sério tal sugestão, mas, dada a insistência da rapariga, lá procuraram a tal garrafa, e a verdade é que, para surpresa de todos, constataram que a água estava mesmo envenenada, com veneno para matar os ratos. Obviamente, a rapariga foi logo encaminhada para o hospital, primeiro no Tarrafal e depois em São Vicente, onde se encontra, até hoje, bem de saúde e quase recuperada.

Porém a história não termina aqui. O final, tal como num bom filme, é sempre mais surpreendente do que poderíamos esperar. Segundo diz o director da escola, afinal quem está grávida é a aluna que se encontra no hospital. E mais. Ao que parece, segundo as investigações mais recentes, foi a própria aluna a escrever as tais cartas anónimas e a inventar e a criar toda esta confusão e situação. O pior é que o veneno da garrafa era bem real e, pelo que dizem, foi ela própria que o colocou na garrafa com o propósito, não de se matar, mas sim, de provocar um aborto espontâneo e assim se ver livre daquela gravidez indesejada.

Por muito dura que seja a realidade local, esta história não deixa de surpreender pelo seu enredo hollywoodesco. Aliás, o que se diz por aqui, é que a culpa disto tudo é das novelas brasileiras… inspiradoras de tanta imaginação...